Home Empreendedorismo A diferença entre organizações tradicionais e organizações empreendedoras
A diferença entre organizações tradicionais e organizações empreendedoras
As empresas mais empreendedoras começam a perceber que os gestores que trabalham mais próximo do cliente possuem melhor informação para tomar decisões.

Nas organizações tradicionais, o poder e a influência não estão nas mãos dos trabalhadores. Numa hierarquia de cima para baixo, a responsabilidade está no topo da pirâmide: o gestor de topo é o sumo decisor e estratega, cujas ordens fluem para as tropas até às linhas da frente.

A informação da primeira linha é lentamente filtrada na escalada da estrutura piramidal, mas tende a ser distorcida pelo caminho. Esta estrutura baseia-se, por isso, no pressuposto de que os gestores de topo podem gerir sós, e com sucesso. Todavia, à medida que as organizações se tomam mais horizontais, em vez de serem geridas por um grupo reduzido no topo, as tarefas e responsabilidades empresariais são delegadas pela companhia.

Com a mudança da estrutura da organização, os papéis dos que nela trabalham também se alteram, tal como os talentos e competências necessários. As estruturas e os sistemas rígidos do passado estão a dar lugar a configurações mais versáteis, que fomentam ambientes que apoiam a criatividade, inovação e espírito empreendedor. As estruturas mais horizontais fazem com que a capacidade de empreendimento, geralmente associada a empresas de menor dimensão, seja adoptada por organizações maiores.

Grandes empresas como a 3M, Canon, ABB e Intel mantiveram com sucesso ambientes empreendedores, muitas vezes através de descentralização, bem como unidades e divisões pequenas e autónomas.

Um sentido de parceria está a ser incentivado na empresa moderna. As companhias estão a aproximar-se dos seus empregados e a apoiar-se neles de novas formas. Uma nova parceria está a desenvolver-se entre a organização e os seus empregados, que possuem ao mesmo tempo mais liberdade e maior responsabilidade. Regras e regulamentos existem nas empresas mais empreendedoras, mas, em vez de criarem ambientes restritivos, estão desenhadas para guiar os empregados e lhes fornecer os meios de desenvolvimento e crescimento.

As organizações tradicionais

Estrutura
  • Burocrática, hierárquica;
  • Vertical, funções e departamentos isolados;
  • Centrada internamente;
  • Rígida e formal com sistemas de controlo fortes

Valores

  • Conformidade, previsibilidade e estabilidade;
  • Comando e controlo;
  • Produtos produzidos em massa e volume
Postos: politicas, papéis, responsabilidades
  • Passa a pente fino novos recrutas em função de desempenhos anteriores, usando referências e entrevistas individuais;
  • Contrata os melhores e dá-lhes formação para que subam a escala empresarial;
  • Assimila novos empregados na cultura com procedimentos cuidados;
  • Clarifica papéis e responsabilidades com descrições de posto explicitas;
  • Usa linhas de montagem e postos especializados;
  • Centra-se no individuo e apoia o emprego para a vida;
  • Valoriza a antiguidade e a lealdade

Sistemas de desempenho e recompensa

  • Avalia o desempenho individual;
  • Especifica o resultado de actividades e avalia os indivíduos consoante esses resultados;
  • Avalia o desempenho por comparação com o desempenho passado ou de outros;
  • Promove segundo padrões e requisitos funcionais bem definidos;
  • Oferece segurança e retribuição constante com picos e benefícios para motivar e fidelizar, mas com poucos incentivos para a mudança

Programas de formação e desenvolvimento

  • Formação para um posto especifico;
  • Programas de desenvolvimento para gestores e executivos de topo

Por comparação, veja-se agora o que caracteriza as organizações empreendedoras:

Estrutura
  • Informal, não hierárquica;
  • Horizontal, igualitária;
  • Centrada externamente;
  • Estruturas e sistemas mais flexíveis

Valores

  • Inovação, criatividade, individualismo, tomada de riscos;
  • Cooperação, comunicação, relacionamentos e alianças;
  • Qualidade, padronização e velocidade na criação de produtos

Postos: politicas, papeis, responsabilidades

  • Leva tempo a recrutar o indivíduo certo e passa a pente fino as competências e adaptabilidade à cultura
  • Recruta internamente e externamente;
  • Define postos à medida das necessidades e oportunidades;
  • Desloca os empregados em função do ambiente;
  • Sublinha o trabalho de equipa igualitário e as equipas com funções cruzadas;
  • Oferece uma variedade de carreiras possíveis, escalões múltiplos e postos mais complexos, menos estruturados, necessitando de cooperação de funções cruzadas;
  • Tolera erros no processo de aprendizagem

Sistemas de desempenho e recompensa

  • Avaliação de desempenho participativa com mais de um avaliador;
  • A avaliação baseia-se no valor potencial e futuras contribuições;
  • As medidas de desempenho possuem criterios individuais e de grupo, com parte da compensação ligada aos resultados da equipa;
  • Retribuição mais flexível e maiores incentivos, monetários e simbólicos, encorajando melhor desempenho, apesar da tendência serem escalas de pagamento mais reduzidas;
  • Sublinha a eficácia e os resultados

Programas de formacão e desenvolvimento

  • Sublinha a formação em equipa e compêtencias participativas;
  • Desenvolve novas compêtencias e conhecimentos através da formação e programas de desenvolvimento
  • Desenvolvimento a longo prazo para futuros desafios

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