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Investir em obrigações
Ao contrário das acções que representam o capital das empresas, as obrigações representam dívida, isto é, são uma forma de financiamento de empresas. Os investidores emprestam dinheiro a uma empresa quando compram as suas obrigações. Em troca, a empresa paga um "cupão" de juros em intervalos pré-determinados, que podem ser anuais ou de seis em seis meses, e devolve o capital em dívida na data de vencimento, terminando o empréstimo.

Antes de avançarmos para uma análise mais aprofundada sobre o investimento neste tipo de activos financeiros, convém definirmos alguns termos técnicos para facilitar a sua compreensão:

Valor nominal
É o valor inscrito no título ou no registo e corresponde ao montante do empréstimo que será devolvido ao investidor no final do prazo.

Maturidade
A maturidade de uma obrigação é a data em que o capital em dívida é pago aos investidores, encerrando a obrigação da empresa. É o momento em que a empresa extingue a sua dívida perante os obrigacionistas.

Cupão
É a quantia de juros pagos aos detentores de obrigações, que normalmente ocorrem uma vez por ano ou por semestre.A taxa de juro do cupão pode ser fixa ou variável.

Obrigações garantidas e não garantidas
Uma obrigação pode ser garantida ou não garantida. Nas obrigações não garantidas, os pagamentos de juros e o retorno do capital em dívida são garantidos apenas com  a capacidade de crédito da empresa e o seu bom nome. Uma obrigação garantida é uma obrigação que envolve uma terceira identidade que se responsabiliza pelo incumprimento, quer do capital quer dos juros em dívida da empresa que emite as obrigações.

Call option
Algumas obrigações podem ser pagas antes do vencimento. Se uma obrigação tiver uma cláusula de reembolso antecipado (o que se designa na gíria financeira por call option),  o emitente pode optar por proceder ao seu reembolso antes da data de vencimento. Para exercer esta opção, paga normalmente um prémio nominal.

Put option
É a opção contrária à call. Neste caso, o obrigacionisa tem o direito de receber antecipadamente o capital da emissão.

Obrigações convertíveis
Alguns tipos de obrigações conferem o direito de conversão em acções da mesma empresa; este tipo de títulos chama-se obrigações convertíveis. Uma variante particular das obrigações convertíveis são as obrigações com warrants, que conferem o direito ao obrigacionista de adquirir um determinado número de acções da empresa emitente, a um preço pré-definido, até uma determinada data  (este direito é destacável da obrigação e por isso pode ser transacionaodo autonomamente).

Preferência de liquidação
Como dívida das empresas, as obrigações envolvem um nível de risco inferior ao das acções, que representam capital. Numa situação de falência, os obrigacionistas serão pagos antes dos accionistas.

Risco e retorno
Investir em obrigações tem naturalmente os seus riscos. Desde logo, existe o risco mais básico de todos, o risco de imcumprimento, que ocorre quando os pagamentos dos juros e/ou do capital em dívida da obrigação não se realizam nas condições pré-determinadas (ou não se realizam de todo).

O risco de taxa de juro é talvez a classe de risco à qual os investidores dão mais importância. Ele representa a possibilidade das taxas de juro de mercado se alterarem significativamente. Se as taxas de juro  de mercado baixarem significativamente, o investidor fica satisfeito se investiu em obrigações de taxa fixa. Pelo contrário, se as taxas de juro de mercado aumentarem, o investidor vai ficar com um investimento abaixo das taxas do mercado, sendo tentado a vender as obrigações que dispõe em carteira trocando-as por activos com uma taxa de juro superior. Prever a evolução das taxas de juro de mercado é tão difícil quanto mais distante estiver a data de vencimento. Logo, o risco de taxa de juro é directamente proporcional ao tempo até à maturidade.

Existe ainda o risco de reembolso antecipado, que representa a possibilidade de determinada obrigação ser paga antes do tempo estabelecido, normalmente com uma cláusula de reembolso antecipado. Isto pode ser desfavorável para os investidores, dependendo da vontade da empresa, já que a empresa só se sentirá tentada a pagar a obrigação mais cedo quando as taxas de juro tiverem baixado substancialmente. Em vez de manterem um investimento com juros elevados, os investidores vêem-se obrigados a reinvestir os fundos num ambiente com baixas taxas de juro.

Para avaliar o risco de incumprimento das obrigações, existem as agências de rating. Como fazem a avaliação do risco de incumprimento é um tema que está fora do âmbito deste artigo, mas digamos que se dedicam a estudar a performance financeira das empresas, o seu historial e reputação para, no final, lhes atribuírem uma espécie de pontuação. Esta pontuação vai desde o "AAA" a "Aaa" para os casos em que o pagamento será "bastante provável", até ao "D" para casos mais problemáticos. As obrigações são assim classificadas em "categorias de investimento". Naturalmente, é de esperar um cupão mais elevado para aquelas obrigações cuja notação de rating é mais desfavorável e vice-versa. As agências de rating mais conhecidas são a Moodys, a Fictch e a Standard & Poors.

Se as empresas não têm uma notação de rating para as suas obrigações, o que acontece frequentemente para empresas novas no mercado, cabe ao investidor determinar a capacidade de pagamento da empresa por si próprio. É também conveniente verificar a notação que as diferentes agências atribuem a uma determinada obrigação, pois os sistemas de avaliação diferem de agência para agência e evoluem ao longo do tempo.

Como vimos, o valor das obrigações vai depender da evolução das taxas de juro dos mercados e da própria empresa emitente, porquanto seja capaz de honrar os seus compromissos. É a capacidade do investidor para analisar e prever estas duas variáveis que define o valor das obrigações e condiciona as suas decisões de investimento.

Yield to Maturity (YTM)
Mede a taxa de retorno de uma obrigação, assumindo que é mantida em carteira até ao seu vencimento e que todos os cupões são reinvestidos à mesma taxa.

Current Yield
É o resultado proporcionado pelos cupões de uma obrigação quando comparado com o seu valor de mercado. O current yield é calculado através da seguinte fórmula: (Valor anual dos cupões)/(Preço de mercado). O current yield também é usado para outros activos financeiros, nomeadamente acções (o dividend yield). Neste caso, compara-se o valor dos dividendos anuais de uma acção com a sua cotação.

Convém não esquecer que este indicador só considera os ganhos referentes a juros, ignorando os possíveis ganhos ou perdas de capital, que ocorrem com a subida ou descida dos preços das obrigações no mercado. É por isso mais utilizado pelos investidores mais preocupados com rendimentos periódicos.

Nominal Yield
Não é mais do que o valor percentual dos juros pagos por uma obrigação de forma periódica. É calculado dividindo o pagamento do cupão anual pelo valor nominal da obrigação. É importante ter em atenção que o nominal yield só faz uma estimativa dos retornos de forma exacta se o preço de mercado da obrigação for igual ao do seu valor nominal.

Outros Yields
Outros indicadores podem ser calculados em função do perfil do investidor, embora o princípio seja sempre o mesmo: estimar os juros do cupão e valor reembolsado e em que momento vão ocorrer. A partir desta estimativa utilizar uma taxa de desconto isenta de risco e actualizar os cash flows futuros para o momento presente para calcular o valor da obrigação.
Dois casos particulares merecem destaque: o cálculo do valor das obrigações reembolsadas antes da maturidade, no caso das call options e o cálculo do valor das obrigações vendidas no mercado antes da maturidade. Nestes casos, os cálculos devem incluir não só o valor dos cupões e do capital reembolsado, mas também uma estimativa do prémio da call, no primeiro caso, e uma estimativa do valor ao qual se irão vender as obrigações.

Conclusão
Apesar de o mercado de obrigações parecer complexo, a verdade é que o princípio entre risco e retorno se aplica com mais facilidade do que no caso das acções, que são mais imprevisíveis. As obrigações têm um nível de risco inferior e por isso devem fazer parte da carteira de qualquer investidor competente, como forma de diversificação.


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Investir em obrigações
May 20 2009 00:40:35
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