Como detectar – ou evitar – os inovadores na sua empresa
Como sempre, gostamos de fazer os nossos clientes e leitores felizes. De acordo com isso, gostaria de falar sobre como detectar prováveis inovadores. Desta forma, poderá identificá-los mais rapidamente e optar por contratá-los, se quiser ser mais inovador, ou por ignorá-los e evitá-los, se preferir o status quo. Boa sorte com esta última estratégia, já agora.

Identificar pessoas que são inovadoras é, na verdade, relativamente fácil. São aqueles que parecem que nem sequer fazem parte da organização. Os inovadores têm a tendência a:

  • Rejeitar o enquadramento padrão de um problema e reformular o problema ou a oportunidade. Em vez de trabalhar dentro de determinados ideias ou enquadramentos, muitos inovadores querem deitar fora o enquadramento e começar de novo. Tal como Galileu, isto poderá exigir trabalhar contra uma ortodoxia, mas e não obstante, causará movimento e nós devemos acompanhá-lo. Aquelas pessoas que são tão problemáticas com a sua vontade de mudar ou de expandir o enquadramento de um problema? Provavelmente, bons inovadores.
  • Serem optimistas. São quase sempre o tipo de pessoas que vê o copo meio cheio. As pessoas pessimistas irão concentrar demasiada energia no "problema", ao passo que os inovadores irão reconhecer o problema e avançar para encontrar soluções. Acreditam que os problemas serão meras barreiras temporárias para soluções mais interessantes.
  • Olhar para o futuro para encontrar sinais, em vez de olhar para o passado. Na maioria dos negócios, muitas pessoas irão perguntar "Será que isto já foi feito?" e "O que podemos aprender com este sucesso e insucesso?". Os inovadores querem saber "Podemos ser os primeiros?" e quais os sinais no mercado ou no ambiente que nos dizem que seremos bem sucedidos.
  • Preocupar-se sobre solucionar desafios não superados ou mal interpretados. Muitas vezes, os inovadores ultrapassam os problemas óbvios e ordinários para irem ao encontro de problemas não superados ou mal interpretados. Se a equipa estiver presa a resolver um problema óbvio e incremental, então não é inovadora.
  • Trabalhar em rede com pessoas diferentes. Sugerem as evidências que os melhores inovadores são as pessoas que buscam conhecimento fora da sua área, que interagem com pessoas de diferentes ambientes e interesses e que procuram trazer soluções de fora da sua área para a mesa. As pessoas que estão muito enraizadas numa área e que ignoram os sinais e as soluções de outras áreas normalmente não são muito inovadoras.
  • Serem proactivos. Os inovadores procuram de forma activa a mudança, enquanto muitos executivos se contentam e reagem aquilo que as outras empresas fazem.
  • Serem insatisfeitos com o status quo e sentem vontade de o mudar, não aceitando o status quo ou simplesmente queixando-se dele.
  • Sentirem-se muito confortáveis com as aprendizagens, as tentativas e os insucessos, para depois regressarem às tentativas. Não desmotivam com um único insucesso e, normalmente, sentem-se determinados a começar de novo, reformular o problema e tentar uma nova táctica ou abordagem, aprendendo com os insucessos do passado e incorporando esse conhecimento.

Portanto, se está à procura de contratar alguém e se quer saber se ele/ela tem probabilidades de ser um inovador, olhe para estes sinais:

  • Pergunte-lhes sobre um problema que tenha. Verifique se aceitam o seu enquadramento com facilidade ou se pedem a oportunidade de reformular ou mudar o enquadramento na sua totalidade. Se a opção for esta última, será provavelmente um inovador.
  • Pergunte-lhes sobre problemas existentes na sociedade ou na empresa ou sobre desafios. Ouça a forma como abordam o problema e a motivação que demonstram a sugerir mudanças e alternativas e as possibilidades que sugerem em direcção à mudança.
  • No contexto de um problema, que informação procuram - externa, orientada para o futuro ou informação interna sobre o passado?
  • Conseguem nomear um grande insucesso nas suas vidas e demonstram aprendizagem e a forma como esse insucesso os ajudou a ganhar mais conhecimento na direcção a uma eventual solução?
  • Conseguem nomear cinco superiores com quem interajam regularmente que são de diferentes áreas? Conseguem demonstrar uma rede de contactos activa fora da sua área "original"?

Os tipos de respostas que obtiver nestas questões irá dizer-lhe quão forte é a "inovação" dentro do candidato e se deverão contratar essa pessoa ou virar a Força contra eles.


Sobre o autor:

Jeffrey Phillips é consultor de gestão e inovação. É ainda autor de vários livros e do blogue Innovate on Purpose, que recomendamos.


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