| Inovação de valor acrescentado |
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É com grande interesse que leio o post de Grant McCracken que falava sobre o "breve" momento ao sol dos criativos. A preocupação de Grant é que o crowdsourcing (recurso à comunidade online) irá permitir que as empresas encontrem capacidades e ideias de design e outros conceitos criativos a partir da internet, em vez de procurar organizações de criativos. Neste caso, Grant tem, provavelmente, razão. Existe uma consciencialização crescente de que existem boas ideias "lá fora" e que apenas temos de as encontrar. Não precisa de ir além do IdeaStorm de Dell e do Idea Exchange da BestBuy para ter provas. Actualmente, conseguimos criar uma campanha ou concurso para desenhar um novo logótipo. O novo logótipo de Chuck Frey em Innovation Tools foi desenhado num concurso e ele permitiu que muitos dos seus leitores votassem nos seus designs preferidos. Aquilo que tenho mais dificuldade em perceber é que, na minha opinião, as preocupações levantadas por McCracken são mal direccionadas.
Sim, existem de facto milhares de criativos que trabalham a partir de casa e centenas de milhares que tiveram boas ideias para a Dell e para a BestBuy. E que conseguiram dar ideias a empresas que de facto precisam delas, como a General Motors ou o Governo. Mas estou a divagar. Tudo o que fizemos com o crowdsourcing foi alavancar a internet para capturar as ideias que estes indivíduos sempre tiveram. A internet simplesmente forneceu um mercado, onde podemos trocar as nossas capacidades com compradores disponíveis, quer sejam capacidades de design ou capacidades de pensamento ou capacidades fotográficas, no caso do Flickr e outros sites de fotografia. Embora isto esteja a acontecer, não significa o fim das empresas de design criativo ou as equipas de inovação nas empresas. Eis porquê. Eu posso fazer crowdsourcing de ideias ou designs, assim que tenha conhecimentos dos principais problemas e oportunidades. Apenas após eu, o requisitor de ideias ou designs, ter identificado as oportunidades, ter estabelecido o contexto e a estratégia e ter determinado como quero implementar a ideia ou o design, poderei precisar da "Multidão". Nunca nos sentimos ameaçados quando pedimos a alguém para nos ajudar numa troca de ideias; por isso, por que nos havemos de sentir ameaçados quando a sessão de troca de ideias se torna significativamente maior? Não podemos prender as ideias ou os conceitos - ninguém pode. Talvez algumas pessoas ou empresas sejam melhores na geração de ideias ou conceitos do que outras, mas isso é apenas um aparte. Se a Procter&Gamble está disposta a aceitar 50% das suas ideias para novos produtos de fora da empresa, então, talvez todos nós devemos enveredar pelo crowdsourcing até um certo ponto. O verdadeiro valor na criatividade e na inovação está em identificar oportunidades e ameaças emergentes e deslocarmo-nos para um novo sítio antes dos outros. O valor é acrescentado no facto de pedir às pessoas para ajudarem a identificar as ideias com base numa oportunidade ou estratégia específica que desenvolvemos e ter os meios para seleccionar e implementar as melhores ideias. Isto não serve para denegrir as pessoas que apresentam ideias ou projectos, mas estes estão apenas a cumprir uma etapa de um processo muito mais amplo, no contexto que temos definido, para resultados e objectivos que já determinamos. Há um grande valor em ser-se auscultado nas multidões e no crowdsourcing, mas como o pessoal da Dell lhe pode dizer, 15.000 ideias mais tarde, a verdadeira magia está em compreender quais as que terão de ser escolhidas e em ter a capacidade para implementar as correctas. Aqui está o verdadeiro valor na inovação e criatividade. Sobre o autor: Jeffrey Phillips é consultor de gestão e inovação. É ainda autor de vários livros e do blogue Innovate on Purpose, que recomendamos.
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